IBGE divulga primeira edição da PNAD Contínua dedicada a plataformas digitais; dados mostram jornadas mais longas e remuneração horária inferior à média do setor privado.
O Brasil tinha cerca de 1,987 milhão de pessoas ocupadas por meio de plataformas digitais de serviços em 2025, segundo a PNAD Contínua divulgada nesta sexta-feira (4) pelo IBGE. É a primeira edição da pesquisa com recorte específico para o trabalho via aplicativos.
A esmagadora maioria, 1,805 milhão de trabalhadores, ou 92,1% do total, tinha os apps como fonte principal de renda. Outros 182 mil usavam as plataformas como atividade secundária; 28 mil acumulavam os dois vínculos simultaneamente.
O perfil traçado pelo IBGE contraria a narrativa de flexibilidade como vantagem: esses trabalhadores cumprem jornadas semanais mais longas do que os demais ocupados no setor privado e recebem menos por hora trabalhada. A combinação de maior esforço e menor retorno horário é o dado central da pesquisa — e o que diferencia este levantamento das estimativas anteriores, que não cruzavam tempo dedicado com rendimento efetivo.
A categoria é composta majoritariamente por autônomos, sem vínculo empregatício formal, o que os exclui de benefícios como FGTS, seguro-desemprego e férias remuneradas. O debate sobre regulamentação desse mercado está em curso no Congresso, e os números do IBGE devem alimentar as negociações nas próximas semanas.
A próxima etapa da PNAD sobre plataformas deve incorporar dados regionais detalhados, ainda sem data de divulgação confirmada pelo instituto.