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Economia

Mercado derruba projeção de inflação — mas o número ainda rompe o teto da meta

Focus desta terça registra queda de 5,01% para 5% no IPCA esperado para 2026, enquanto previsão para o PIB sobe; distância do centro da meta segue em dois pontos percentuais.

08/09/2026 10:10 · leitura de 4 min

O mercado financeiro reduziu sua projeção para a inflação de 2026, mas o alívio é marginal. O Boletim Focus desta terça-feira (8), compilado pelo Banco Central com base em respostas de mais de 100 instituições financeiras, mostra recuo de 5,01% para 5% na estimativa para o IPCA — índice oficial de inflação do país.

O número continua acima do teto da meta. O Conselho Monetário Nacional fixou a meta em 3%, com banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Isso significa que o mercado projeta inflação 0,5 ponto acima do limite máximo permitido.

O mesmo relatório trouxe revisão para cima na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 — sinal de que os analistas não enxergam, por ora, desaceleração econômica suficiente para derrubar os preços com mais força. A combinação de crescimento resiliente e inflação persistente é exatamente o cenário que dificulta a vida do Banco Central na calibragem da taxa de juros.

A queda de um centésimo na projeção ocorre mesmo com a retomada de tensões no Oriente Médio, fator que pressionou o preço do petróleo nas últimas semanas e tende a encarecer combustíveis e fretes. O recuo, portanto, reflete menos uma melhora estrutural do que um ajuste pontual nas expectativas.

O Focus é publicado toda semana. A próxima edição sai em 15 de julho e será acompanhada de perto pelo Comitê de Política Monetária, que usa as projeções do mercado como um dos insumos para decidir o patamar da Selic.