Em cadeia nacional, presidente invoca soberania e critica indiretamente as tarifas americanas sobre produtos brasileiros.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o pronunciamento de 7 de Setembro, transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão neste sábado (6), para mandar um recado que não precisou citar nome: o Brasil não aceita tutela estrangeira — e quem impõe tarifas que entendam isso.
"Precisamos nos manter fortes e altivos, sem baixar a cabeça, para não deixarmos que o Brasil se transforme, novamente, em colônia de outras potências estrangeiras. Não somos, e não seremos colônia de ninguém", disse Lula, em trecho que condensou o tom do discurso.
O contexto dá o enquadramento. Nas semanas anteriores ao pronunciamento, o governo americano manteve tarifas sobre exportações brasileiras — medida que Lula já havia classificado, em ligação direta com Donald Trump, como infundada. O 7 de Setembro funcionou, desta vez, como tribuna diplomática.
Ao longo da fala, o presidente reforçou a autonomia do país na gestão de suas riquezas naturais e nas relações comerciais e políticas com outros blocos. A linguagem foi a da soberania; o alvo, implícito, foi Washington.
O discurso marca uma escalada de tom em relação às falas anteriores do Planalto sobre o tema tarifário. Até aqui, o governo havia privilegiado o canal direto — a ligação com Trump — e a negociação técnica. Um pronunciamento em cadeia nacional, na data mais simbólica do calendário republicano brasileiro, é outra classe de sinal.
O próximo movimento está do lado americano: o prazo para revisão das tarifas sobre produtos brasileiros segue em aberto, e o Itamaraty ainda negocia os termos de uma eventual isenção parcial.